Requerimento para instalação da CPMI para investigar atos de 08 janeiro será lido dia 18 | Maranhão Hoje

Rio de Janeiro – O presidente da República, Jair Bolsonaro, fala a apoiadores no Monumento aos Pracinhas, no Aterro do Flamengo, após passeio de moto pela cidade. (Fernando Frazão/Agência Brasil)

Senadores divergem sobre investigação dos atos antidemocráticos

O requerimento para a criação de uma CPI mista que investigue os atos antidemocráticos de 8 de janeiro deve ser lido na próxima sessão do Congresso Nacional, marcada para esta terça-feira (18). Quem recolheu as assinaturas dos parlamentares para o requerimento foi o deputado federal André Fernandes (PL-CE), apoiador do ex-presidente Jair Bolsonaro. Mas a criação da CPI gera divergências entre os senadores.

Enquanto senadores de oposição querem essa CPI para investigar possíveis omissões do governo e até a eventual presença de infiltrados nos atos, senadores governistas argumentam que os atos já estão sendo investigados pela Polícia Federal e que o país tem outras prioridades.

A favor da CPI

O senador Luis Carlos Heinze (PP-RS) apoia a criação da CPI mista com o argumento de que sua instalação é importante para esclarecer os “abusos que foram feitos” e identificar possíveis infiltrados. Heinze afirma que as manifestações de 8 de janeiro foram democráticas e legítimas, e nega que tivessem caráter terrorista, mas ressalta ser contrário à invasão de prédios públicos.

Para o senador Izalci Lucas (PSDB-DF), essa CPI precisa ser instalada imediatamente. Em um vídeo divulgado no Twitter, ele declarou que “não tem dúvida nenhuma da omissão do governo federal” e que acredita na presença de infiltrados nas manifestações antidemocráticas.

Por sua vez, o senador Eduardo Girão (Novo-CE) disse entender que “a população está ansiosa” pela abertura da CPI. Segundo Girão, “muita coisa precisa ser explicada para o bem da democracia do Brasil”. Ele classificou os atentados como “deploráveis”, mas também considera estranho que o governo, “que se diz vítima”, não apoie a criação da CPI.

— A gente tem ideia do que pode ter acontecido. A grande mídia noticiou que a Abin [Agência Brasileira de Inteligência] teria informado a 38 órgãos federais que o objetivo daqueles atos era destruir o patrimônio público fisicamente. E me parece que o governo lavou as mãos — registrou Girão.

Contra a CPI

O líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), já se manifestou contrariamente à CPI mista. No entanto, ele ponderou que, se o requerimento for lido e a comissão criada, estará “pronto para atuar nela”.

Na visão do senador Humberto Costa (PT-PE), a criação dessa CPI “não se coaduna com a realidade” do que ocorreu no dia 8 de janeiro. O senador afirmou que a investigação vem sendo feita de forma profunda, séria e correta, tanto pelo Executivo (por meio da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União) quanto pelo Judiciário e pelo Ministério Público. Mas ele disse que, se a comissão for instalada, vai procurar colaborar a favor da verdade.

— Num momento como este, [a CPI mista] é algo que vai terminar se transformando, meramente, em uma disputa política, com aprofundamento da polarização. E isso não é adequado — avaliou Humberto.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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