MST intensifica invasões de terra, marchas e vigílias até a próxima quinta-feira no Abril de Lutas | Maranhão Hoje


Jornada foi iniciada nesta segunda nas cinco regiões do país

Com o lema “Contra a fome e a escravidão: por Terra, Democracia e Meio Ambiente!”, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) iniciou nesta segunda-feira (17) a sua Jornada Nacional de Luta pela Terra e pela Reforma Agrária.  A Jornada prossegue até quinta-feira (20), com ocupações de terras, marchas, vigílias, ações de solidariedade e a realização acampamentos pedagógicos, envolvendo as famílias assentadas e acampadas nas cinco regiões do país.

Segundo o MST, “as ações têm como objetivo reafirmar o compromisso da luta contra a fome, a escravidão, todas as formas de opressão e violência, trazendo para o centro da luta política a questão do acesso à terra e da Reforma Agrária”.

Ceres Hadich, da direção naciona, afirma que a Jornada é uma ferramenta de pressão e denúncia contra as violências no campo e as grandes concentrações de terra no Brasil.

“Fazemos a jornada para que não se esqueçam do massacre de Eldorado dos Carajás e que o Brasil é o país do latifúndio, com o maior índice de concentração de terras. A reforma agrária é uma dívida histórica com os povos do campo”, explica.

O MST divulgou o número de 100 mil famílias que vivem em  acampamentos no Brasil, muitas estão há mais de 10 anos nesta situação. Destas, 30 mil famílias estão em áreas na condição de pré-assentamentos em processos não concluídos pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).  “O governo pode resolver essa situação com maior celeridade”, cobra a dirigente.

Em relação à pauta das famílias assentadas, ela aponta que é preciso retomar as políticas públicas para a produção nos assentamentos, como crédito, compras públicas, cooperação, industrialização e comercialização para aumentar a produção de alimentos e combater a fome no país.

Por isso, o Movimento cobra uma rodada de negociações com o MDA, o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), com o Ministério da Justiça e Segurança Pública, Ministério da Fazenda, com o Incra e com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Abril de Lutas – Desde o início do mês, o Movimento já realizou lutas com foco na Jornada. Neste final de semana, famílias Sem Terra iniciaram uma marcha no estado da Paraíba, que saiu de Mata Redonda, em Alhandra, e segue à capital João Pessoa. São 40 km de caminhada.

Em Pernambuco, desde o dia 3 de abril, o Movimento Sem Terra realizou oito ocupações, mobilizando cerca de 2.280 famílias em todo o estado. As áreas reivindicadas para Reforma Agrária estão localizadas nos municípios de Timbaúba, Jaboatão dos Guararapes, Tacaimbó, Caruaru, Glória do Goitá, Goiânia e Petrolina. E em Maceió (AL), no dia 10, o MST e um conjunto de organizações populares cobraram a saída do atual superintendente do Incra e a indicação de José Ubiratan Rezende Santana para o cargo, através de uma ocupação no órgão.

(Com informações do MST e foto de Jonas Santos/MST-BA)

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